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quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Por que eu volto, voltei e sempre voltarei a treinar Karatê.

Não posso deixar de ser sincero nesse momento: estou acima do peso.

Tenho hoje um peso que jamais pensei em ter. A forma do corpo que sustenta esse peso não me agrada e não é nada funcional. Funcional no significado técnico - funcionalidade para desempenhar minhas atividades diárias.

Estar acima do peso me deixa limitado. Sinto dores frequentes nos ombros e lombar. As roupas não servem. Até vesti-las é cansativo.

Estar sedentário (diferente de ser um) prejudica o meu sono, meu apetite, meu equilíbrio mental para suportar pressão (em casa e no trabalho principalmente) e mesmo não comendo tão mal como apareça, essa condição me deixa triste.

Assim como 90% da população brasileira eu não estou conseguindo seguir uma rotina de exercícios. Vou para a academia mas nada me apaixona ao ponto de me motivar a voltar no dia seguinte. Correr, nem pensar! Mesmo quando era atleta fazia isso obrigado. Até ia bem. Mas o que me deixa em ponto de ebulição são os esportes individuais.

O que mais eu pratiquei em equipe foi a dança, especificamente o Axé. Mas assim como os esportes individuais a dança tem um Q de protagonismo e é isso que me encanta.

Tentei jogar Tênis. Fui bem, jogando por quase um ano me desenvolvi bem, mas o tempo e o dinheiro me fizeram parar. Me sentia muito motivado pelo desafio de ganhar do outro.

Aí apareceu o Poker na minha vida. Estratégia pura! Tensão, olho no olho, batalha, disputa, pressão e para quem nem Truco sabe jogar, foi um baita desafio entender o jogo e cravar 2 torneios, fazer muitas mesas finais. Pena que é um intenso exercício mental e o corpo, continua sedentário.

Aí o Karate se torna ainda mais inevitável.






Ontem, após 3 anos e 4 meses voltei a colocar o meu velho kimono. Velho e muito importante para esse momento pois ele não esquece nada. Impressionante. Com ele me sentindo com 20 anos menos. E uns 20 quilos a menos também.

O problema é a faixa. Como ela tá curta na minha cintura! Fiquei assustado!

2 horas de treino que passam como 5 minutos. 3 anos que pareceram uma pausa para descanso após um campeonato. Claro que não consegui acompanhar 100% de uma aula para iniciantes, mas a única coisa que eu tenho hoje de faixa-preta é a experiência. A condição física é de um senhor de 40 anos. E a motivação é daquele menino que começou aos 14 anos, após ver Karate Kid na televisão em 1990!

Entendo todos os sedentários. É maravilhoso chegar em casa, sentar e ficar vendo TV até o sono vir. Acordar aos finais de semana e não fazer nada até a segunda-feira chegar. Comer tudo que você tem vontade e seu dinheiro paga. Esquece que eu sou formado em Educação Física e lembra que hoje o meu trabalho é o clássico do século 21, fico 10 a 12 horas diariamente sentado em um computador, gerenciando um time de vendas e relacionamento. E faz parte disso as viagens, almoços e alimentação fora de horários. Tudo normal para uma pessoa que vive em uma grande metrópole. Agora mesmo, estou no avião indo para Salvador. Tomei café no aeroporto e acabei de comer o delicioso e saudável lanchinho servido a bordo.

Por ter vivido na pele os dois lados - atleta e sedentário quase obeso, te digo em voz alta: VAI TREINAR!

Faça como eu, procure, experimente, se permita descobrir o que te tira do sofá. Vai atrás do que vai fazer você ser mais você.

Meu amigo, sua vida é mais legal quando você tem energia para usufruir dela plenamente.

Minha amiga, sua vida é muito mais legal quando você tem energia para usufruir dela plena plenamente.

O Karate me completa. Experimente. Vai que ele te completa também?

É muito bom sentir-se vivo. Dormir bem, acordar bem.

Prefiro as dormir musculares as dores articulares.

Prefiro me sentir vivo. Prefiro e quero sempre ser feliz.

Vamos juntos sermos felizes plenamente?

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

O início de um projeto - Karate Brasil

O Karate fez a minha vida mudar.

Através dele eu consegui perder a timidez, deixei de ser um "zero à esquerda" e o mais zoado da escola.

Aprendi a me defender, mas a maior defesa foi o auto-estima. Consegui superar meus medos e quando entendi que eu era o meu maior adversário, as primeira conquistas chegaram.

As faixas foram chegando, as medalhas e os primeiros campeonatos conquistados.

Vieram as primeiras viagens. Fora da cidade, fora do estado, fora do país.

Conheci pessoas, culturas, línguas.

Cometi muitos erros. E aprendia a acertar e ser o homem que me tornei.

O Dojo-kun foi o guia da minha criação. Sou filho de um faixa-preta, assim como muitos de vocês que lêem esse texto, mas mesmo que vc não tenha tido essa condição, meu pai sempre foi muito correto.

Para você que é pai e está buscando um esporte para o seu filho, seja crítico. Ele viverá momentos e situações que vão mudar o seu caráter e os seus valores, mas não terceirize isso. Forme o caráter do seu filho como os valores mais virtuosos que existem. Seja para o seu filho o modelo que ele precisa.

E consegui a faixa-preta. Final de caminhada? Não! O caminho é longo e na verdade, ele só começa quando você chega a faixa-preta.

Consegui melhorar muito a minha saúde. Meu corpo mudou, Minha cabeça estava mais forte. E consegui uma bolsa integral na Universidade para o curso de Educação Física.

Me dediquei ainda mais. E mais conquistas vieram. E um pódio no mundial da JKA em 1998, o primeiro pódio de uma equipe brasileira neste evento. O mundial da JKA é considerado o mais importante evento do Karate depois do mundial da WKF, reunindo neste ano 37 países e mais de 1000 atletas. Quando eu escanear as fotos, posto para vocês.


Brasileiro de 2013/Fortaleza-CE - A última vez que eu coloquei meu querido kimono.


E pulando 18 anos, hoje o mundo mudou. O Karate mudou. 

Aí veio a ideia de criar o Karate Brasil - Compartilhar conteúdo para os karatecas. Levar informação, independente do estilo ou federação para todos que buscam.

Será mais um desafio na minha vida. E tenho certeza que será um dos mais prazerosos!

Oss.

Cleiton de Castro,
 um faixa-preta formado na Okinawa Shorin-ryu pelos senseis Clemente e Yoshihide Shinzato, e que viveu maior parte de sua vida no Karate Shotokan com os senseis Jefferson Lopes, Johannes Carl Freiberg Neto, Ivaldo Silva e agora simplesmente, TREINA KARATE.

PS: Nenhum esporte me fez sentir o que eu sinto de kimono. Vou escrever sobre isso em breve.