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sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Competir #01 As primeiras vezes são as mais importantes

Adoro competição. Quem não gosta?

É perfeitamente compreensível que pessoas não gostem ou não tenham interesse em competir. Um dos motivos é que as pessoas tem comportamentos diferentes. Tem pessoas que não se sentem confortáveis em competir, tem pessoas que só pensam nisso!

Reflita: será que todos os meus alunos tem perfil que se adaptem às competições? Será que seus pais querem isso para seus filhos? Estou certo que você como professor vai saber como descobrir isso. E vai se preocupar com algumas decisões e escolhas que tem feito!

Ponto inicial - Você é um professor, não um técnico! Você tem alunos/clientes e não atletas. Alguns deles são e serão aptos um dia a competir em alto nível. A maioria deles nunca conquistará nada além de faixas!


Você já pensou nisso?

E mais: como você lida com vitória e derrota? O quanto você (professor) compete ou competiu? Quantas vezes você trilhou por esse árduo caminho?

Mas se você entender plenamente o que é competir, saberá usar isso como uma ferramenta poderosa de aprendizado. Claro, se você é um cara diferenciado!

Antes da competição, vamos pensar que existe um momento muito importante para os pais - permitir que minha filha participe. E aí o primeiro aprendizado aparece, aceitar o desafio.

Na maioria das vezes os professores intensificam os treinos visando que seus alunos tenham uma boa participação no evento, e aí mais dois aprendizados - dedição e empenho.

Será que um pai ficará mais seguro quando você explica que você está ajudando ele na formação de sua filha trabalhando esses valores e comportamentos?

E o dia de competir está chegando e com isso mais uma aprendizado : controle da ansiedade. Só de escrever sobre isso sinto o friozinho na barriga. Transformar isso em uma reação positiva passa pela mão do professor.

E chega o dia da competição.

Na maioria das vezes, as primeiras as competições são regionais, entre academias, onde a maioria dos inscritos são faixas coloridas e crianças. Uma grande festa!


E mais um grande oportunidade: interação pai e filha. interação entre pais. Convívio em família! Que momento importante!

Lembro como se tivesse acontecido ontem o meu primeiro campeonato. Foi em São Vicente, um torneio organizado pelo sensei Djalma (Shorin-Ryu). Quase um pique-nique, com lutas e katas como entretenimento. Claro, perdi a primeira luta!

Independente do resultado um valor importante do esporte e olímpico deve ser cultivado - o importante é competir.

Será sempre
muito difícil explicar para uma criança que a outra foi melhor. Corta o coração, mas é importante ensinar o processo de perda e ganha, desempenho, resultados e consequência.

É um processo, muitas vezes longo e na maioria das vezes muito importante para a formação do caráter do futuro adulto.

E para adultos? Pode ser o impulso para uma dedicação maior aos treinos, maiores resultados em qualidade de vida e bem estar, e claro, quem sabem, de uma medalha.




ShotoWorld Cup - JKA. 37 países, 1000 atletas. Meu primeiro mundial. dediquei 1 ano da minha vida para conseguir participar da primeira seleção brasileira medalhista em um mundia da JKA, feito conquistado em Paris,1998.

Todos os campeões mundiais passaram pela primeira competição. Ganhar uma medalha ou ser campeão é apenas um detalhe para um processo tão importante que é a formação do caráter e dos valores.

Forme campeões para a vida. Quem sabe um deles opte ser um campeão nos tatames também?


A maior medalha ou troféu para a sua carreira são as pessoas que você ajudará a formar para o mundo.
Bons treinos.

Cleiton de Castro.

domingo, 20 de novembro de 2016

O processo de aprender.


Acordei determinado em escrever hoje e iniciei buscando uma imagem com a palavra "conhecimento".

Por que conhecimento?

O processo de aprendizado do Karate vai levar você para alguns caminhos: Aprender, ensinar e performar. Em todos a prática é um ponto comum, e muito prazeroso. Você verá clicando aqui uma figura que mostra que conhecimento é uma convergência entre crenças e verdade, nada mais do que ciência e hipóteses se provando válidas, ou não.

No Karate, penso que 80% ( e talvez seja até mais) do que é aplicado no dia-a-dia de treinos e aulas são hipóteses ou melhor, crenças de técnicas, situações ou métodos de são passados de pai para filho, de professor para aluno a décadas e por isso tornam-se verdade, construindo o nosso conhecimento.

Baseado na imagem acima, que tal pensarmos em alguns pontos sobre o conhecimento e o Karate?


  • Analise: esse é um ponto onde o conhecimento se baseia - a investigação. Nesse ponto, vejo que como qualquer esporte, o Karate precisa muito evoluir em suas bases científicas de educação (didática) e de treinamento (biomecânica, fisiologia, treinamento desportivo e psicologia, só para citar algumas), e claro, na gestão e administração dos Dojos. Afinal, sem alunos, nada adianta a sua faixa-preta 6º dan ou meu mestrado.
  • Soluções: o que tem sido implementado de soluções para os problemas (ou defeitos com é definido em gestão de projetos) em suas aulas ou dojo. O quanto isso impacta na experiência dos seus clientes (alunos), professores e sucesso do negócio?
  • Educação: Qual é o volume e qualidade das fontes onde você busca a matéria-prima para o seu conhecimento, o produto que será entregue aos seus clientes (alunos)?
  • Informação: Aqui vou definir esse ponto como o conhecimento em seu nível mais informal. Como é a sua atualização diária de informações? Desde novela, Discovery Kids ou política internacional, o que você está atento?
  • Experiencia: Aqui, só o tempo e a qualidade do que você vive vão definir, mas como ainda tem muita coisa para ser vivida, dá para ficar mais atento no que você escolhe. Eu hoje poderia estar na praia e estou aqui escrevendo.
  • Aprendizado: Você pode beber da melhor fonte do conhecimento e continuar com sede ou até mesmo, engasgar. Aprendizado é um processo e sobre isso que eu vou dedicar mais algumas palavras para finalizar.


O Karate vive baseado no aprendizado. Quantas vezes seu sensei disse: Vc precisa vir nos treinos de sábado, nas aulas especiais, nos treinos dos faixas-pretas!

Essa necessidade é movida pelo compartilhamento de informações. A informação que leva um faixa-branca a voltar a mais um treino, que gera a curiosidade e o desejo de fazer exames e testar o quanto tudo foi apreendido.

E o desafio de aprender supera a segurança e o controle do dojo, nos levando a competir com alunos de outras academias, cidades, estados e países. E aí o aprendizado é levado ao seu estado máximo, onde sempre haverão pessoas que não viveram o que você viveu e vão querer saber como foi e terão o livre arbítrio de querer experimentar.

E como é enriquecedor ensinar. Na minha visão a maior oportunidade de aprender é ensinar pessoas a fazer o que você faz e chegarem ao seu nível mais alto. E o ciclo do conhecimento começa a fechar.

Aprender, ensinar, performar. E por isso o Karate sobrevive.

Para pensarmos: O que precisamos produzir de conhecimento para que possamos viver ainda melhor dentro do Karate?